Internet 12 Jul 2007 10:58 am

A utilização da Internet, em Portugal

A Marktest.com deu a conhecer já os números do primeiro semestre de 2007. Este estudo – 3,8 milhões de utilizadores de Internet – contabiliza apenas os utilizadores com 15 ou mais anos, residentes no Continente, o que, do ponto de vista educativo, tem um interesse limitado, já que não abrange os estudantes do ensino básico. Em relação ao universo considerado, o número apurado de utilizadores da Internet – 3,8 milhões – representa 46,2% dos residentes.

Utilizadores da Internet em Portugal, nos últimos anos

Verificou-se, desde 2006, um aumento da taxa de penetração da Internet de 6%, o crescimento mais baixo da última década. Segundo a empresa, é normal que assim aconteça, à medida que aumenta o número de utilizadores da Internet.

O estudo da Marktest apresenta ainda a análise por variáveis de discriminação que revelam discrepâncias no acesso ainda francamente preocupantes:

  • A variável ocupação mostra ser a mais discriminatória. Embora 95.9% dos estudantes, com 15 ou mais anos, pareçam ter acesso à rede, este valor baixa abruptamente para os 3,7% no caso das domésticas. De igual forma, apenas 25,9% dos trabalhadores não especializados e 37,3% dos especializados mostram ter acesso habitual à Internet, valores que contrastam enormemente com os 95,1% dos quadros médios superiores.
  • A idade é a segunda variável mais discrepante. Se 95,6% dos jovens entre os 15 e os 24 anos têm acesso, apenas 3,7% dos idosos (mais de 64 anos) manifestam navegar habitualmente.
  • A classe social é outro factor de clivagem, oscilando os valores entre os 96.2% de utilizadores na classe alta e os 17.0% na classe baixa.
    Segue-se o sexo, registando-se uma diferença de quase 10% em prejuízo do género feminino.
  • Finalmente, a Marktest apresenta o critério regional como o que apresenta menor heterogeneidade, o que poderá conduzir a leituras menos claras da realidade. Por exemplo, de acordo com os dados apresentados, o interior norte apresenta índices de acesso de 35,1% contra 44,3% do litoral norte. A diferença é de facto inferior a 10%. No entanto, quando comparado o índice de acesso do interior norte com o de Grande Porto, que atinge 53,9%, as leituras regionais adquirem outro sentido. A Grande Lisboa atinge valores ainda mais discrepantes: 56,8%.

Utilizadores da Internet em Portugal, por categorias

Noutro estudo – Portugueses dedicam mais tempo ao sapo.pt –, publicado em simultâneo mas referente já às escolhas realizadas pelos internautas, a Marktest refere que, de entre os utilizadores continentais da Internet, com 4 e mais anos, 2,933 milhões o fizeram a partir de casa, ou seja 97,1% da totalidade. Se é, de facto, interessante que os internautas possam navegar a partir da comodidade da sua própria residência, sempre que o queiram, estes valores indiciam todavia o insucesso das medidas de minimização das desigualdades no acesso à rede, nomeadamente as de construção de locais de acesso público. Seria importante saber por que motivo os 83% dos cidadãos que a Marktest integra na classe baixa não acedem à Internet e se a disponibilidade e qualidade dos acessos públicos desempenha um papel relevante nesta “selecção”.

Dominios mais visitados no primeiro semestre de 2007

O mesmo estudo revela ainda os domínios mais visitados e o tempo despendido nos mesmos, em termos absolutos e por utilizador. A leitura destes últimos dados é particularmente reveladora do sucesso da internet social e, genericamente, das aplicações mais bem sucedidas da Web 2.0. Entre os 10 domínios mais procurados, 7 apresentam alguma forma de funcionalidade socializante. E, pelo menos 3, entre os quais aquele que é apontado como o sítio em que os portugueses investiram mais tempo – o Sapo –, fornecem acesso à criação ou consulta de blogues.

Dominios por tempo despendido

Outro ponto de merece reflexão é o do tempo de utilização. No que diz respeito à Internet, este tem vindo a aumentar, tendo cada utilizador, em média, investido cerca de 20 minutos na sua utilização… Todavia, comparado com o tempo de visualização da TV – 3 horas, 31 minutos e 1 segundo, em média, segundo este terceiro estudo – a utilização da Internet manifesta-se ainda como um hábito secundário na vida da generalidade dos portugueses. Atendendo a que a Internet e, em particular, a Web são meios que proporcionam a intervenção activa, quer em contexto de trabalho quer de lazer, por oposição à passividade requerida e promovida pela TV, a diferença é de alguma forma preocupante, em termos educativos.

Referências:

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