Avaliação & Educação à Distância 16 Jul 2007 04:54 pm

Plágio e fraude na avaliação on-line

O problema do plágio ou fraude na Educação à Distância é uma das principais objecções levantadas à aceitação deste modelo de ensino. A questão que se põe é de até que ponto podemos confiar nos resultados de uma avaliação on-line.

Neil Rowe, num curto mas interessante ensaio, intitulado “ Cheating in Online Student Assessment: Beyond Plagiarism”, conclui de forma incisiva: “infelizmente, não podemos”. Rowe baseia-se, para esta afirmação, em estatísticas relativas à frequência do plágio e da fraude nos diversos níveis de ensino, mesmo no presencial, e no quão mais fácil é tornear os mecanismos de controlo em sistemas on-line.

Rowe identifica aqueles que considera serem os três principais e mais sérios problemas envolvendo a prática de fraude na avaliação on-line:

  1. A obtenção prévia das respostas aos testes, particularmente quando os mesmos testes, ou semelhantes, são aplicados a grupos sucessivos de estudantes. Ou, ainda, por exemplo, devido à possibilidade de os estudantes conseguirem registar-se no sistema com a palavra chave do professor, algo que Rowe afirma possível, por exemplo, na Blackboard, em que as passwords aceites podem limitar-se a oito caracteres, o que constitui segurança insuficiente hoje.
  2. A repetição ilegítima dos testes e outras ferramentas de avaliação. Rowe, de novo, expõe diversas fraquezas quer da Blackboard, quer do WebCT.
  3. A utilização de ajuda não autorizada durante a avaliação, quer por acompanhamento ou mesmo substituição do aluno avaliado durante os testes.

Para obviar a todos estes problemas, Rowe constrói uma série de recomendações pertinentes (Rowe, 2004):

  • “Human-proctored traditional paper-and-pencil tests with traditional security procedures should be used for major assessments in distance learning.
  • If manual grading is too burdensome, human-proctored tests taken at a computer are a second-best choice provided that the computer’s software and networking capabilities are tightly restricted as described above.
  • If students take the same assessment at different times, it is critical to draw questions randomly from a large pool and reorder them (and answers to multiple-choice questions) randomly.
  • We should automatically and routinely compare answers given by students on assessments. When similarities beyond those due to chance are observed, especially for incorrect answers, it is usually best to just ask students to take a different assessment covering the same material since it is hard to prove guilt. Retaking should be done in a more secure manner than the original test, as for instance with essay questions instead of multiple-choice.
  • Countermeasures for cheating should be a consideration in purchase of distance-learning management software. The burden is on the vendor to prove that their grading servers and client machines cannot be easily broken into and crashed. Assessment software must permit random test construction. Unless vendors do these things, their software should not be used.”

Reconhecendo que a avaliação on-line continuará a ser praticada e a evoluir, até pela inerente facilidade de aplicação, Rowe conclui porém que a tradicional avaliação, face a face e numa localização temporal e espacial simultânea, continuará a ser a norma, mesmo na educação à distância, num futuro previsível.

Referências:

One Response to “Plágio e fraude na avaliação on-line”

  1. on 27 Jul 2007 at 11:09 pm 1.marta said …

    Trata-se de facto de um texto bastante interessante.

Trackback This Post | Subscribe to the comments through RSS Feed

Leave a Reply