Monthly ArchiveJunho 2007
Hardware & Tecnologia Educativa 27 Jun 2007 08:40 am
O domínio do teclado como um factor educativo
Gostaria de precisar um pouco mais as razões da minha preocupação com o domínio do teclado. Como disse no post anterior, o teclado é o principal interface hoje disponível para inserção de dados no computador. Estamos ainda muito longe da possibilidade de universalização do comando integral do computador via voz e, mesmo que tal generalização venha a realizar-se, creio que muitos continuarão a preferir uma forma qualquer de inserção manual. Basta pensar na babel que resultaria numa sala de aulas em que todos precisassem de utilizar em simultâneo a voz… ainda que este cenário não seja muito diferente de algumas aulas dos nossos dias.
Também no que diz respeito à educação à distância, o teclado é praticamente insubstituível. Se já é possível deixarmos as nossas participações e respostas às solicitações, em alguns tipos de LMS, oralmente ou mesmo em vídeo, em tempo real ou em diferido, a verdade é que a maior parte dos requisitos de avaliação continuam e continuarão a exigir respostas por escrito, até porque o próprio domínio da linguagem escrita é também um factor tido normalmente em conta.
Por tudo isto, continua para mim a resultar incompreensível que as crianças e adolescentes não tenham hoje uma qualquer introdução sistemática à utilização do teclado, integrada no seu currículo. Poderia ser um conteúdo integrado nas disciplinas de TIC, poderia ser um conteúdo transversal, ou ainda ministrado nas áreas de estudo acompanhado ou de projecto… O que não é admissível é que não seja facultado. Já inquiri vários professores de TIC sobre as razões desta ausência, mas, na generalidade, não me souberam dar qualquer razão plausível. Penso que a digitação – ou, mais correctamente, a dactilografia – é simplesmente relegada como mais um daqueles conhecimentos meramente operativos que é suposto os indivíduos serem capazes de adquirirem sozinhos… Mas, será realmente possível adquirirem-no autonomamente? E será que o fazem realmente? Com que grau de proficiência conseguem fazê-lo? Quais são as consequências de uma eventual aprendizagem insuficiente ou autónoma e sem supervisão neste domínio? Na continuação deste artigo, apresento os resultados de um modesto inquérito que realizei no último ano em que leccionei, em 2006, sobre esta matéria e procuro extrair algumas conclusões que me parecem relevantes.
Continue Reading »